Quanto custa um Dinochefe: a conta que o financeiro entende

20 de outubro de 2026
Quanto custa um Dinochefe: a conta que o financeiro entende

O Dinochefe lendo o relatório de rotatividade sem entender por que o time foi embora.

Treinamento de liderança parece caro até alguém fazer a conta do chefe ruim. Nesta edição: a conta, uma calculadora para fazer com os números da sua empresa e três passos para levar à reunião de orçamento de 2027.

Quem é do RH conhece essa cena. Você entra na sala do dono ou do diretor e pede uma verba para desenvolver os líderes. A cara que ele faz é de quem ouviu um pedido para comprar carro importado. "Agora não dá. Treinamento fica para o ano que vem."

Três meses depois, aquela pessoa boa do time pede as contas. Ninguém chama reunião para perguntar quanto isso custou.

O custo da rotatividade que não aparece na planilha

Quando um profissional sai, a empresa paga a vaga aberta, as horas de entrevista de quem para tudo para selecionar, a contratação, o treinamento de quem chega e os meses até essa pessoa render o que a outra rendia. Enquanto isso, o time que ficou carrega o peso, faz hora extra e atende o cliente pior.

A SHRM, uma das maiores associações de RH do mundo, calcula que substituir um profissional custa de 50% a 200% do salário anual dele. Para cargos de gestão, a conta desta edição usa 150%, um valor dentro dessa faixa.

Vamos para a conta de padaria. Um gestor que ganha R$ 10 mil por mês custa R$ 130 mil por ano, com o 13º. A 150%, a saída dele custa R$ 195 mil. Se saíram três gestores da sua empresa no último ano, são R$ 585 mil. E esse número não aparece em lugar nenhum do balancete. Fica espalhado em recrutamento, hora extra, retrabalho, cliente perdido e projeto atrasado.

Calculadora Quanto custa um Dinochefe com o exemplo da edição: 25 líderes, salário de R$ 10 mil e 3 saídas resultam em R$ 585.000 perdidos em 12 meses.A conta do exemplo na calculadora: três gestores que saíram custaram R$ 585 mil em um ano.

Boa parte dessas saídas tem nome e sobrenome. O Gallup mostra que 70% da variação no engajamento de uma equipe é explicada por uma única pessoa: o gestor. Equipe desmotivada quase sempre é sintoma. A causa costuma estar na sala ao lado.

O Dinochefe é o líder que confunde cargo com respeito, que lidera pelo medo do crachá, que trata o time como recurso e depois não entende por que o recurso foi embora. Eu conheci esse personagem cedo. Contei no LinkedIn, na semana passada, do gestor que em 1994 me disse para vir trabalhar doente se fosse preciso, mas não faltar. Eu concordei, porque não queria perder o emprego. Hoje eu sei o tamanho da conta que um chefe assim deixa para a empresa.

Richard Heiras no palco do Leader Shift, com o telão da palestra Liderança sem enrolação ao fundo.Hoje eu levo essa história para o palco, na palestra Liderança Sem Enrolação.

O Dinochefe quase nunca é mau-caráter. Na maioria das vezes, só nunca foi treinado para lidar com gente. Repete o que aprendeu com o chefe dele.

O banho no rio Jordão

Quando a verba finalmente sai, muita empresa gasta do jeito errado. Junta os líderes num sábado até a hora do almoço, passa um monte de slide, paga o rodízio pra galera e acha que todo mundo saiu do outro lado purificado, igual banho no rio Jordão. Na segunda-feira, o Dinochefe está lá, do mesmo jeitinho.

Tem empresa que faz isso só para queimar o orçamento no fim do ano e não perder a fatia do ano seguinte. Comportamento muda na repetição, com prática entre um encontro e outro e alguém acompanhando, e um sábado não dá conta disso. Treinamento é igual banho: só funciona se for recorrente.

Richard Heiras escreve num flip chart durante um treinamento de líderes.Richard Heiras escreve num flip chart durante um treinamento de líderes.Treinamento com líderes, com a mão na massa.

Por que o financeiro diz não ao treinamento de liderança

Quem aprova orçamento não compra necessidade, compra retorno.

Quando o RH pede verba com o argumento "nossos líderes precisam", o diretor escuta "despesa nova". Quando o RH chega com a conta do que a empresa já perdeu, a conversa muda de lado: o treinamento vira a resposta para um custo que a empresa já paga todo mês, sem saber o valor.

Três passos para levar à reunião de orçamento de 2027

  1. Faça a conta da negligência. Levante quantos gestores e quantos bons profissionais saíram nos últimos 12 meses e aplique o custo de reposição. A calculadora desta edição faz isso em 2 minutos e, no fim, salva o resultado em PDF para você levar na reunião. Se o número assustar, ótimo. É para assustar mesmo.
  2. Ligue o treinamento a um indicador que o dono já acompanha. Rotatividade, produtividade, prazo de entrega. Se o indicador não está na mesa da diretoria, o treinamento também não vai estar. Escolha um só e diga, antes de começar, qual número você espera mover.
  3. Comece pequeno e meça. Um grupo piloto de líderes, o mesmo indicador antes e depois, e só então leve para a empresa inteira. Um grupo de 15 ou 20 líderes já mostra se a rotatividade daquela área caiu e se o time está entregando mais. Com o número na mão, o próximo pedido de verba é outra conversa.

E se você é o dono

Se você está do outro lado da mesa, é o dono ou o diretor que costuma dizer "fica para o ano que vem", faz a conta antes de dizer não. Coloca na calculadora também quanto a empresa investiu em líderes no último ano. Ela mostra quantos reais a empresa perdeu com saídas para cada real investido. Se esse número tiver dois dígitos, a conversa de que treinamento é caro acabou.

Calculadora com investimento de R$ 30 mil em líderes: para cada R$ 1 investido, a empresa perdeu R$ 20 com saídas.No exemplo, com R$ 30 mil investidos em líderes, a perda com saídas foi 20 vezes maior.

O simples bem feito é extraordinário. Aqui, o simples é chegar na reunião de orçamento com o número na mão.

A calculadora "Quanto custa um Dinochefe" está aqui: https://calculadora-dinochefe.vercel.app. Não pede cadastro, gera o PDF da conta e um link com os seus números para mandar a quem decide.

Se quiser fazer essa conta com os números da sua empresa, me chama no direct para um diagnóstico rápido de liderança. Em 30 minutos a gente olha onde a sua empresa está sangrando.

Richard Heiras sorri no palco do Leader Shift, com o microfone na mão.Richard Heiras sorri no palco do Leader Shift, com o microfone na mão.No palco do Leader Shift.

Lidar com gente não dá trabalho. Dá lucro.

Um grande abraço de 20 segundos!

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